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Audiometria ocupacional: quando fazer e com que frequência repetir

A perda auditiva causada pelo ruído é silenciosa, permanente e totalmente evitável. A audiometria ocupacional é o exame que mostra, a tempo, se a proteção da sua equipe está funcionando.

Publicado em 11/09/2026 · 5 min de leitura

Por que o ruído merece um exame só para ele

Quem trabalha perto de prensas, serras, compressores, motores ou máquinas de envase convive com um risco que não dói e não deixa marca visível. A perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados avança aos poucos, primeiro em frequências que a pessoa nem percebe no dia a dia. Quando o trabalhador começa a pedir para repetirem as frases, a lesão já está instalada e não tem volta.

A audiometria ocupacional existe para pegar essa mudança no começo. Ela compara a audição do trabalhador ao longo do tempo e permite agir enquanto a perda ainda é pequena: rever o protetor auricular, isolar a máquina, reduzir o tempo de exposição. É por isso que a NR-7 dedica um anexo inteiro a esse exame.

Quem precisa fazer

A indicação nasce do inventário de riscos do PGR. Quando o levantamento aponta exposição a ruído numa função, o PCMSO inclui a audiometria nos exames daquele cargo. Alguns exemplos comuns em Goiânia e região:

  • operadores de máquinas na indústria de alimentos, metalurgia e moveleira;
  • trabalhadores da construção civil que usam marteletes, serras e betoneiras;
  • mecânicos, funileiros e operadores de oficinas;
  • trabalhadores de gráficas, lavanderias industriais e áreas de compressores;
  • operadores de máquinas agrícolas e trabalhadores de beneficiamento de grãos.

A confirmação de que existe exposição, e em que intensidade, vem das medições de ruído feitas no ambiente, como as do laudo de agentes físicos.

O calendário do Anexo II da NR-7

Para os trabalhadores expostos a ruído, o Anexo II da NR-7 define os momentos da audiometria:

MomentoPor que ele existe
Na admissãoRegistra a audição de referência antes da exposição na empresa.
Seis meses depois da admissãoMostra cedo se a exposição recente já causou alguma mudança.
Depois, anualmenteAcompanha a evolução ao longo do contrato.

O médico do PCMSO pode reduzir esse intervalo quando a situação pedir, por exemplo, diante de uma alteração que precisa ser acompanhada de perto. Os exames de mudança de função e de saída seguem o que o PCMSO e o Anexo II definem para cada caso.

O exame dos seis meses é o que mais escapa da agenda do RH, porque não coincide com o periódico dos outros funcionários. Uma solução prática é marcar a data já no momento da admissão, numa planilha ou no sistema de gestão, com alerta algumas semanas antes. Quem passa a trabalhar com ruído depois de uma mudança de setor também precisa entrar nesse calendário: a audiometria feita antes da mudança vira a nova referência, e os próximos exames passam a contar a partir dela.

Como o exame acontece

  1. Repouso auditivoO trabalhador chega sem ter passado por exposição a ruído intenso no período orientado no agendamento.
  2. Inspeção do ouvidoAntes do teste, verifica-se se há cera ou outra condição que possa interferir no resultado.
  3. Audiometria tonalEm cabine acústica, a pessoa indica quando ouve sons em diferentes frequências, em cada ouvido.
  4. Audiometria vocalAvalia a compreensão de palavras, complementando o resultado tonal.
  5. Análise comparativaO resultado é comparado ao exame de referência e interpretado pelo médico do PCMSO.

Alguns cuidados simples fazem diferença na qualidade do resultado. O trabalhador que chega resfriado, com dor de ouvido ou logo depois de um turno barulhento pode ter um resultado pior do que a sua audição real, e o exame talvez precise ser refeito. Avisar a clínica sobre essas situações no agendamento evita um laudo que confunde em vez de esclarecer. Também ajuda informar se o trabalhador tem histórico de otites, uso de medicamentos que afetam a audição ou exposição a ruído fora do trabalho, como música alta, tiro esportivo ou motocicleta.

O que os resultados dizem à empresa

O laudo da audiometria não serve só para preencher o ASO. Lido em conjunto, ele mostra se o programa de proteção está funcionando. Três leituras são especialmente úteis:

  • Resultado estável: a audição se manteve em relação ao exame de referência. A proteção parece adequada.
  • Mudança em relação à referência: sinal de alerta individual. O médico investiga a causa e define a conduta.
  • Mudanças repetidas no mesmo setor: sinal de falha coletiva. Vale rever as medições, o protetor e as proteções da máquina.

Protetor entregue não é protetor usado. Quando várias audiometrias pioram no mesmo setor, a causa costuma estar no tipo de protetor, no ajuste ao ouvido ou no uso intermitente durante a jornada. O exame aponta o problema; a solução está no ambiente e no treinamento.

A audiometria dentro do PCA

O exame é uma das peças do Programa de Conservação Auditiva. O PCA junta as medições de ruído, as medidas de controle na fonte, a escolha e o treinamento sobre o protetor e o acompanhamento audiométrico. Sem o programa, a empresa faz exames que ninguém analisa em conjunto; com ele, cada resultado vira informação para decidir onde investir em proteção.

Na prática, a ordem das medidas importa. Primeiro, tenta-se reduzir o ruído na fonte, com manutenção, enclausuramento ou troca de equipamento. Depois, organizar o trabalho para diminuir o tempo de exposição. O protetor auricular entra como complemento, e precisa ser escolhido conforme o ruído medido e o conforto de quem usa, com treinamento sobre colocação e higiene.

Os resultados também compõem o histórico do trabalhador e entram no evento de monitoramento da saúde do eSocial, junto com os demais exames complementares previstos no PCMSO.

Agende a audiometria com a MT12

A MT12 faz a audiometria ocupacional em Goiânia junto com o exame clínico, orienta o repouso auditivo no agendamento e organiza o calendário de repetição conforme o PCMSO. Fale com a equipe pelo WhatsApp.

Dúvidas

Perguntas frequentes

01Escritório precisa de audiometria?

Em geral, não. A audiometria ocupacional é indicada para quem está exposto a ruído registrado no inventário de riscos do PGR. Funções sem essa exposição só fazem o exame se o médico do PCMSO tiver outro motivo para pedi-lo.

02O que é repouso auditivo?

É um período sem exposição a ruído intenso antes do exame, para que o resultado não seja influenciado por uma alteração temporária da audição. A orientação é dada no agendamento, conforme a norma e o PCMSO.

03Se a audiometria mostrar alteração, o trabalhador é afastado?

Não automaticamente. O médico avalia o tipo de alteração, compara com exames anteriores e decide a conduta, que pode incluir reforço da proteção, nova avaliação ou mudança de posto. O afastamento é uma das possibilidades, não a regra.

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