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MT12Saúde e Segurança

Exame de colinesterase para expostos a agrotóxicos

Inseticidas organofosforados e carbamatos agem bloqueando uma enzima do sistema nervoso, e o exame de colinesterase mostra se isso está acontecendo com quem os manipula. A MT12 organiza o exame de base e as dosagens seguintes para fazendas, cooperativas e empresas de controle de pragas.

Uma enzima que funciona como alarme

A acetilcolinesterase é uma enzima que ajuda os nervos a "desligar" os sinais depois de transmiti-los. Os inseticidas organofosforados e carbamatos agem justamente bloqueando essa enzima nos insetos, e podem fazer o mesmo no ser humano. Quando a atividade da enzima cai, é sinal de que o trabalhador absorveu o produto.

Por isso a dosagem da colinesterase é o exame clássico de quem prepara a calda, aplica, abastece pulverizadores, lava equipamentos ou trabalha em depósitos desses produtos.

Dois exames, duas leituras

ExameO que reflete
Acetilcolinesterase eritrocitáriaA enzima presente nas hemácias, mais próxima do que acontece no sistema nervoso, com recuperação lenta
Colinesterase plasmáticaA enzima do plasma, que reage mais rápido à exposição recente, mas também varia por outros motivos de saúde

Qual dos dois a empresa faz, ou se faz ambos, é definido pelo médico do PCMSO a partir dos produtos utilizados e do que a NR-7 vigente prevê.

O valor de base: o exame mais importante

A atividade da colinesterase varia bastante de uma pessoa para outra. Um resultado que é normal para um trabalhador pode representar uma queda importante para outro. Por isso, o que dá sentido ao acompanhamento é comparar cada dosagem com o valor de base da própria pessoa, obtido antes de ela começar a manipular os inseticidas ou depois de um período afastada deles.

Sem valor de base, o exame perde força. Se o trabalhador já começou a aplicar antes da primeira dosagem, o resultado inicial pode estar contaminado pela exposição. Planeje o exame de base para a admissão ou para a entressafra, antes da temporada de aplicação.

O momento da coleta também conta

Organofosforados e carbamatos não se comportam da mesma forma. A inibição causada pelos carbamatos tende a se desfazer mais rapidamente, o que significa que uma coleta feita muito depois da aplicação pode não mostrar o efeito. Por isso, o médico do PCMSO define quando colher em relação aos dias de aplicação. Informar à equipe de coleta qual produto foi usado e quando faz parte do exame, tanto quanto a própria amostra de sangue. Um caderno simples de aplicações, com data, produto e equipe, já resolve boa parte dessa informação.

Quem deve entrar no programa

  • Aplicadores costais e operadores de pulverizadores tratorizados.
  • Quem prepara a calda e abastece os equipamentos.
  • Trabalhadores de armazéns, depósitos e revendas que manuseiam embalagens.
  • Equipes de lavagem de equipamentos e de destinação de embalagens vazias.
  • Técnicos de empresas de controle de pragas urbanas que usam esses inseticidas.

No campo, esse acompanhamento faz parte do PCMSO ligado ao PGRTR, o programa de riscos do trabalho rural.

Como organizamos as dosagens

  1. Levantamento dos produtosA fazenda ou empresa informa quais inseticidas usa e em que época do ano.
  2. Exame de baseProgramado antes da exposição, para registrar o ponto de partida de cada trabalhador.
  3. Dosagens de acompanhamentoNa frequência definida no PCMSO, de preferência coincidindo com os períodos de maior aplicação.
  4. CondutaSe houver queda relevante em relação à base, o médico orienta o afastamento da exposição e a revisão das práticas de aplicação.

Por que com a MT12

Conhecemos a rotina do agronegócio da região de Goiânia, com safras, entressafras e equipes temporárias, e encaixamos as dosagens nesse calendário. O exame conversa com o PCMSO e com o treinamento e o uso de EPI na aplicação, porque é aí que a queda da enzima costuma ter origem.

Dúvidas

Perguntas frequentes

01Todo agrotóxico altera a colinesterase?

Não. O exame acompanha os inseticidas que inibem essa enzima, principalmente organofosforados e carbamatos. Herbicidas e fungicidas de outros grupos exigem outra forma de acompanhamento, definida pelo médico do PCMSO.

02O trabalhador precisa estar sem contato com o produto para o exame de base?

Sim. O valor de base deve refletir a atividade da enzima da pessoa sem a influência desses inseticidas, por isso é feito antes da exposição ou após um período afastado dela, conforme orientação médica.

03E se a pessoa passar mal durante a aplicação?

Sintomas como suor excessivo, salivação, visão turva, náusea, tremores ou falta de ar durante ou após o manuseio pedem interrupção imediata da atividade e atendimento de urgência. O exame periódico não substitui esse cuidado.

Próximo passo

Conte o que a sua empresa precisa. A gente organiza o resto.

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