Fogo começa pequeno
Um curto em uma extensão sobrecarregada, uma fritadeira esquecida na cozinha industrial, uma bituca perto de papelão no depósito. Quase todo incêndio passa por um momento em que um extintor resolveria. O que separa um susto de uma tragédia é haver alguém por perto que saiba reconhecer a classe do fogo, escolher o equipamento certo e, se não for possível controlar, dar o alarme e conduzir a saída.
A NR-23 determina que o empregador adote medidas de prevenção de incêndios conforme a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis, e que informe os trabalhadores sobre o uso dos equipamentos de combate, os procedimentos de abandono e os dispositivos de alarme. A brigada é a forma organizada de colocar isso em prática.
Quem forma a brigada
- Cobertura de todos os turnos: brigadistas presentes em cada horário de funcionamento e em cada pavimento ou setor.
- Perfil: pessoas que conhecem bem o prédio, permanecem a maior parte do tempo no local e têm condição física compatível com a função.
- Dimensionamento: definido pelas normas do Corpo de Bombeiros e pela ABNT NBR 14276, conforme a ocupação e o risco.
- Coordenação: um líder por turno ou área, responsável por acionar o plano de emergência.
Classes de incêndio e o extintor certo
Usar o agente extintor errado pode espalhar o fogo ou causar choque elétrico. Por isso essa é uma das partes mais práticas do curso:
| Classe | O que queima | Exemplo no trabalho |
|---|---|---|
| A | Materiais sólidos que deixam brasa | Papel, madeira, tecidos, embalagens |
| B | Líquidos e gases inflamáveis | Gasolina, solventes, GLP |
| C | Equipamentos elétricos energizados | Quadros, motores, computadores |
| D | Metais combustíveis | Limalhas de magnésio e alumínio em usinagem |
| K | Óleos e gorduras de cozinha | Fritadeiras de restaurantes e cozinhas industriais |
O simulado de abandono
- PlanejamentoRevisamos rotas de fuga, saídas, ponto de encontro e pessoas com mobilidade reduzida que precisam de apoio.
- Comunicação préviaCombinamos com a direção o momento do exercício e o que será avisado ou não às equipes.
- Alarme e saídaA brigada conduz o abandono, verifica sanitários e salas fechadas e organiza a contagem no ponto de encontro.
- AvaliaçãoMedimos a organização da saída, registramos falhas como portas trancadas ou rotas obstruídas e propomos ajustes.
Treinamento sem equipamento não funciona. Extintores vencidos, hidrantes sem mangueira e saídas bloqueadas por estoque anulam o melhor curso. Durante o treinamento, apontamos as falhas que encontramos nos equipamentos e rotas.
E quem não é brigadista?
A brigada lidera, mas todos precisam saber o básico. Por isso propomos uma orientação curta para o restante da equipe, com três mensagens: reconhecer o som do alarme, conhecer pelo menos duas rotas de saída a partir do próprio posto e saber onde fica o ponto de encontro. Visitantes, terceirizados e clientes também entram no plano, especialmente em lojas, clínicas e escritórios com atendimento ao público. Quem não conhece o prédio depende de orientação clara dos funcionários na hora da saída. Para essas pessoas, placas de saída visíveis e iluminação de emergência funcionando são tão importantes quanto o treinamento.
Uma formação que se conecta a outras
A brigada também é chamada em emergências que não envolvem fogo, como mal súbito ou queda. Por isso o curso inclui noções de primeiros socorros. Em instalações com combustíveis, o conteúdo se soma à capacitação da NR-20, e o tema pode ganhar destaque na SIPAT. A empresa recebe a lista de brigadistas por turno, o registro do simulado e os certificados.