Entregar não é o mesmo que proteger
Em muitas empresas, o EPI chega ao trabalhador junto com uma ficha para assinar, e o assunto termina ali. Semanas depois, o protetor auricular está pendurado no pescoço, a luva de vaqueta é usada para manusear solvente e o respirador está guardado no bolso, amassado. O equipamento existe, mas não protege.
A NR-6 atribui ao empregador o dever de orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, a guarda e a conservação do EPI. O treinamento é o que liga a compra do equipamento à proteção real.
Erros que aparecem no dia a dia
Nas visitas às empresas, alguns problemas se repetem em setores muito diferentes. Eles orientam boa parte da parte prática da aula:
- Protetor auricular de inserção colocado só na entrada do canal, sem a técnica de inserção correta.
- Respirador sobre barba ou com as tiras frouxas, o que impede a vedação no rosto.
- Luva escolhida pelo conforto, sem considerar o produto químico ou o tipo de corte do setor.
- Óculos de proteção riscados, que levam o trabalhador a tirá-los para enxergar melhor.
- Calçado de segurança com biqueira danificada ainda em uso.
- Cinturão de segurança guardado no chão do almoxarifado, exposto a umidade e produtos.
Quem responde pelo quê
| Empregador | Trabalhador |
|---|---|
| Fornecer gratuitamente o EPI adequado ao risco, com CA válido | Usar o EPI apenas para a finalidade a que se destina |
| Orientar e treinar sobre uso, guarda e conservação | Responsabilizar-se pela guarda e conservação |
| Exigir o uso | Comunicar qualquer alteração que torne o EPI impróprio |
| Substituir quando danificado ou extraviado | Cumprir as determinações da empresa sobre o uso |
| Registrar o fornecimento, em fichas, livros ou sistema eletrônico | Participar das orientações e treinamentos |
O roteiro da turma
- Por que o EPI vem por últimoMostramos que ele complementa as medidas coletivas e administrativas, conforme a hierarquia de controle da NR-1.
- EPI por risco do setorCada grupo vê os equipamentos indicados para os riscos registrados no PGR do seu posto.
- Colocação e ajusteCada participante coloca, ajusta e retira o próprio EPI sob observação.
- Inspeção antes do usoComo identificar desgaste, rachaduras, perda de elasticidade e quando pedir a troca.
- Higienização e guardaLimpeza, secagem e local adequado para cada tipo de equipamento.
CA não é selo eterno. O Certificado de Aprovação tem situação própria no sistema do Ministério do Trabalho. Ensinamos o almoxarifado e a liderança a conferir o CA antes da compra e da entrega.
Conversa franca sobre desconforto
Boa parte da resistência ao EPI não é descaso, é desconforto. O protetor aperta, a máscara esquenta, os óculos embaçam, a luva tira o tato. Quando a turma pode falar disso abertamente, a empresa ganha informação valiosa: às vezes o modelo escolhido não serve para aquele rosto, aquele calor ou aquela tarefa, e existem alternativas com o mesmo nível de proteção. Registramos essas queixas e devolvemos ao responsável pela compra, para que a próxima aquisição considere quem vai usar o equipamento durante todo o turno.
Quando o treinamento pede um complemento
Alguns equipamentos exigem mais do que a orientação geral. Quem usa respirador deve estar incluído no programa de proteção respiratória, com fit test para verificar a vedação. Quem usa cinturão de segurança precisa da capacitação de trabalho em altura. E quem quer organizar estoque, entregas e trocas em um só lugar pode contar com a gestão de EPI da MT12. Ao final do treinamento, a empresa recebe lista de presença, avaliação e certificados por participante.