Um teste de resistência, não de pureza
O challenge test, também chamado de teste de eficácia de conservantes, parte de uma ideia simples: em vez de procurar microrganismos no produto, o laboratório coloca microrganismos de propósito. Uma amostra da fórmula recebe uma quantidade conhecida de bactérias, bolores e leveduras de referência, e a população é acompanhada ao longo do tempo.
Se o sistema conservante for eficiente, os microrganismos diminuem até níveis aceitáveis e não voltam a crescer. Se não for, eles sobrevivem ou se multiplicam, mostrando que o produto vai estragar ou se tornar um risco depois de aberto.
É um ensaio pensado para o mundo real. Ninguém usa um xampu em condições estéreis: a tampa fica aberta, a água do chuveiro entra no frasco, os dedos entram no pote do creme. O challenge test reproduz de forma controlada essa exposição repetida e responde se a fórmula vai se manter segura durante todo o período de uso pelo consumidor.
Momentos em que o teste faz diferença
- Desenvolvimento de uma fórmula nova, antes do lançamento.
- Troca ou redução do conservante, inclusive em linhas que querem comunicar fórmulas mais suaves.
- Mudança de embalagem, como sair da bisnaga para o pote, que expõe muito mais o produto.
- Alteração de ingredientes que mexem com pH, água livre ou carga de extratos naturais.
- Transferência da fabricação para outro terceirista ou outra planta.
Como o ensaio se desenvolve
- Escolha da amostraA fórmula é testada na embalagem final ou em condição equivalente, porque a embalagem influencia o resultado.
- InoculaçãoO laboratório adiciona microrganismos de referência, separadamente, em porções do produto.
- Leituras ao longo do tempoEm intervalos definidos pela metodologia de referência, a população sobrevivente é contada.
- Avaliação do critérioA queda observada é comparada com o critério de aceitação da metodologia adotada, e o resultado é emitido em laudo.
Por envolver várias leituras, o teste exige planejamento no cronograma de lançamento. O laboratório responsável, a metodologia e os prazos ficam definidos no orçamento.
Challenge test e controle microbiológico: qual a diferença
| Challenge test | Controle microbiológico de lote | |
|---|---|---|
| Pergunta | A fórmula resiste a contaminações durante o uso? | Este lote saiu limpo da fábrica? |
| Quando fazer | No desenvolvimento e após mudanças relevantes | Em cada lote ou conforme o plano de qualidade |
| O que se faz com a amostra | Contamina-se de propósito e acompanha-se a queda | Procura-se o que já está presente |
| Quem mais usa | Desenvolvimento e assuntos regulatórios | Controle de qualidade e produção |
Um não substitui o outro. Para o controle de rotina, veja os ensaios microbiológicos de cosméticos.
Pense na vida real do produto. Um condicionador que fica no box do banheiro recebe água e calor todos os dias. Informar o modo de uso e a embalagem ao planejar o teste torna o resultado muito mais útil.
O papel da MT12 no seu desenvolvimento
Empresas pequenas de cosméticos e marcas próprias costumam descobrir a necessidade do challenge test perto do lançamento ou quando um cliente pede o laudo. A MT12 ajuda a encaixar o ensaio no cronograma, organiza o envio das amostras e traduz o laudo para a equipe de desenvolvimento.
Se a fórmula reprovar, ajudamos a montar o raciocínio da reformulação e o reteste. E, se a fábrica também usa saneantes próprios na limpeza da linha, a eficácia de saneantes pode entrar no mesmo pacote.