Um documento, dezesseis respostas
A Ficha de Dados de Segurança segue um formato padronizado, alinhado ao Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, o GHS. São dezesseis seções em ordem fixa, para que qualquer pessoa, em qualquer empresa, encontre a informação de que precisa no mesmo lugar.
A ficha é pensada para leitores diferentes. O comprador consulta a identificação do fornecedor. O técnico de segurança procura os limites de exposição e os equipamentos de proteção. O socorrista vai direto aos primeiros socorros. O responsável pelo almoxarifado olha armazenamento e incompatibilidades. E a equipe de emergência precisa saber como combater um incêndio ou conter um vazamento. Uma FDS bem feita atende a todos eles sem obrigar ninguém a ler o documento inteiro.
| Bloco de seções | O que responde |
|---|---|
| Identificação e perigos | Que produto é este, quem fornece e qual o perigo principal |
| Composição | Quais ingredientes contribuem para o perigo |
| Emergências | Primeiros socorros, combate a incêndio e vazamentos |
| Uso no dia a dia | Manuseio, armazenamento, controle de exposição e EPI |
| Dados técnicos | Propriedades físico-químicas, estabilidade, toxicologia e ecotoxicologia |
| Fim de vida e transporte | Descarte, transporte e regulamentações aplicáveis |
Quem precisa elaborar e quem precisa ter
Fabricantes, importadores e empresas que fracionam ou envasam com marca própria são responsáveis por elaborar a FDS. Quem compra e usa o produto precisa ter a ficha disponível e acessível aos trabalhadores, como prevê a NR-26 ao tratar da classificação, da rotulagem preventiva e da ficha com dados de segurança.
- Indústrias de saneantes, cosméticos, tintas, adesivos e químicos em geral.
- Distribuidores que fracionam produtos a granel.
- Importadores que precisam adaptar fichas estrangeiras.
- Empresas usuárias que querem organizar e revisar as fichas que recebem dos fornecedores.
Uma ficha desatualizada, incompleta ou copiada de outro produto pode passar despercebida até o dia em que alguém precisa dela em uma emergência, ou até a auditoria de um cliente. Revisar as fichas sempre que a fórmula, o fornecedor de matéria-prima ou a classificação de perigos mudar evita esse risco.
Como elaboramos ou revisamos a ficha
- Levantamento da formulaçãoRecebemos a composição, com tratamento confidencial, e os dados técnicos disponíveis das matérias-primas.
- Classificação de perigosAplicamos os critérios do GHS para definir as classes de perigo, os pictogramas, a palavra de advertência e as frases de perigo e precaução.
- Lacunas de dadosQuando faltam informações físico-químicas, indicamos os ensaios necessários, feitos por laboratório responsável definido no orçamento.
- Redação e entregaFicha completa em português, coerente com o rótulo do produto, pronta para distribuir a clientes.
Rótulo e ficha precisam dizer a mesma coisa. Um dos erros mais comuns é o rótulo trazer um pictograma e a FDS outro, ou frases de precaução diferentes. Na revisão, conferimos os dois documentos juntos.
A FDS no chão da empresa
A ficha só cumpre o papel dela quando chega a quem manuseia o produto. Por isso, a MT12 usa as informações da FDS em várias frentes: no inventário de riscos químicos do PGR, na escolha de luvas, respiradores e óculos, na sinalização e rotulagem dos locais de armazenamento e nos treinamentos de quem lida com inflamáveis.
A seção de descarte também conversa com a área ambiental: ela orienta a classificação de resíduos pela ABNT NBR 10004 e a destinação com MTR no SINIR. Assim, o mesmo documento serve à segurança de quem trabalha e ao controle ambiental do que sobra.