A cabeça também faz parte da segurança
Quem trabalha em altura, dentro de um silo ou próximo a uma rede elétrica precisa manter atenção constante, reconhecer o perigo e reagir com calma quando algo sai do previsto. Cansaço extremo, uso de substâncias, crises de ansiedade ou dificuldade de concentração podem transformar uma tarefa rotineira em acidente. A avaliação psicossocial ocupacional procura identificar esses fatores antes de o trabalhador ser liberado.
A NR-35, por exemplo, prevê que a avaliação de aptidão para trabalho em altura considere também os fatores psicossociais. Outras funções críticas podem incluir a avaliação a critério do médico responsável pelo PCMSO.
Funções que costumam pedir a avaliação
- Trabalho em altura: montadores, telhadistas, pintores de fachada, instaladores de antenas.
- Espaço confinado: trabalhadores autorizados, vigias e equipes de resgate.
- Eletricidade: eletricistas e equipes de manutenção em instalações energizadas.
- Operação de equipamentos de risco: pontes rolantes, guindastes e máquinas pesadas.
- Segurança e brigada: quando a função exige tomada rápida de decisão em situação de emergência.
O que é observado
| Aspecto | Por que importa na função crítica |
|---|---|
| Atenção e concentração | Erros de distração em altura ou eletricidade costumam ser graves |
| Percepção de risco | Mostra se o trabalhador reconhece situações perigosas e respeita procedimentos |
| Controle emocional | Reação a imprevistos, medo de altura ou de lugares fechados |
| Uso de álcool e outras substâncias | Relato e sinais que podem comprometer a segurança |
| Condições de sono e rotina | Fadiga reduz reflexos e aumenta a chance de acidente |
Como a avaliação acontece
- EntrevistaO psicólogo conversa com o trabalhador sobre histórico, rotina, experiência na função e como ele lida com situações de pressão.
- InstrumentosQuando indicado, são aplicados testes e escalas de atenção, memória e aspectos emocionais, escolhidos conforme a função.
- ParecerO psicólogo registra se há ou não contraindicação, do ponto de vista psicossocial, para aquela atividade.
- Conclusão médicaO parecer segue para o médico do trabalho, que o considera junto com a consulta e os demais exames para emitir o ASO.
Contraindicação não é rótulo. Uma avaliação desfavorável indica que, naquele momento, a pessoa não deve assumir a atividade crítica. Ela pode seguir em outras tarefas, ser reavaliada depois e receber orientação ou encaminhamento para cuidado.
Diferente da gestão de riscos psicossociais
A avaliação individual não substitui o olhar para a organização do trabalho. Metas inalcançáveis, jornadas extensas, assédio e conflitos de equipe afetam todo um grupo. A NR-1 inclui esses fatores no gerenciamento de riscos ocupacionais, e a MT12 trata desse tema na área de riscos psicossociais, com questionários e plano de ação.
Quando repetir a avaliação
A condição emocional de uma pessoa muda com o tempo. Um trabalhador que estava bem na admissão pode passar por luto, separação, endividamento ou problemas de saúde que afetam o sono e a atenção. Por isso a avaliação costuma acompanhar os exames periódicos das funções críticas, na frequência definida pelo PCMSO.
Também vale antecipar a reavaliação quando a liderança percebe mudanças de comportamento, quando há um quase acidente envolvendo o trabalhador ou depois de um afastamento por motivo de saúde mental. Nesses momentos, a avaliação não tem caráter punitivo: o objetivo é proteger a pessoa e a equipe e, se for o caso, orientar a busca de cuidado. A comunicação com o trabalhador deve ser respeitosa e reservada, e o RH pode contar com a equipe da MT12 para conduzir esse encaminhamento.
Avaliação psicossocial na MT12
Organizamos a avaliação junto com o eletroencefalograma, o eletrocardiograma e a consulta quando o cargo exige um pacote para atividade crítica. O RH agenda pelo WhatsApp, o trabalhador é atendido em ambiente reservado e a empresa recebe o ASO com a conclusão de aptidão.